Coronavírus: entenda mais sobre o novo vírus

Coronavírus: entenda mais sobre o novo vírus



Um novo vírus que ataca o sistema respiratório e se espalhou rapidamente na região de Wuhan, na China, preocupa a população mundial. Ele foi renomeado para Covid-19 e pertence à família dos coronavírus – conhecida desde meados de 1960 – um grupo que reúne desde agentes infecciosos que provocam sintomas de resfriado, até agentes que provocam manifestações mais graves – como os causadores da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS).

Segundo Celso Granato, infectologista do Fleury Medicina e Saúde, estamos falando de uma ampla família de vírus, que atacam praticamente todas as espécies – de répteis a mamíferos.

Como surgiu o novo coronavírus

De acordo com investigações ainda em andamento, o novo coronavírus pode ter sido originado em serpentes ou morcegos. Um estudo chinês também encontrou uma relação do novo coronavírus com cobras, mas a verdade é que não existe ainda um consenso entre os cientistas sobre a origem da doença.

Coronavírus diferentes podem sofrer mutações e se recombinar, dando origem a agentes inéditos. Assim como podem transitar entre diversas espécies de animais (seus hospedeiros) e eventualmente chegam aos seres humanos.

Com as palavras de Celso Granato, em matéria de janeiro de 2020 da revista Saúde Abril, a transmissão “é um processo que tem semelhanças com o que acontece na gripe. Na gripe suína, um porco pegou o vírus de aves e, na recombinação de vírus diferentes dentro do animal, surgiu um H1N1 que conseguiu passar para os seres humanos”.

Transmissão

Portanto, tudo leva a crer que o novo coronavírus tenha sido originalmente transmitido para o ser humano de um animal e ainda esteja no processo de evolução e adaptação. Mas a disseminação de pessoa para pessoa – a contaminação por contato – também já está ocorrendo.

Seguindo o padrão dos coronavírus, e a perspectiva de o agente aperfeiçoar sua propagação entre os humanos, é importante ficarmos atentos para as principais vias de transmissão. De acordo com o pneumologista Elie Fiss, professor titular da Faculdade de Medicina do ABC, os coronavírus normalmente são transmitidos pelo ar, por meio de tosse ou espirro, contato pessoal próximo ou com objetos e superfícies contaminadas.

Produtos importados da China podem conter coronavírus?

O CDC – Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos – afirmou que não há, até agora, nada que indique qualquer risco associado à importação de produtos da China. Mas estão monitorando a situação e garantem que qualquer informação nova sobre o caso será incluída em suas recomendações (disponíveis em inglês neste site). O Ministério da Saúde ainda afirma que não há nenhuma evidência de que produtos enviados da China para o Brasil tragam o novo coronavírus e argumenta que os vírus não costumam sobreviver por muito tempo fora do corpo de outros seres vivos, e o tempo de tráfego dos produtos enviados de outro país pode demorar até meses.

A infectologista Nancy Bellei, consultora para a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e professora na Unifesp, diz que não há risco de infecção nestes casos. Segundo o médico Drauzio Varella, o vírus só é transmitido entre humanos e não sobrevive mais de 24 horas fora do organismo humano ou animal. Ele ainda ressalta que “você pode, sim, comprar produtos chineses à vontade.”

Emergência global

Na última quinta-feira (30) de janeiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou como emergência pública global o surto de coronavírus. Segundo a OMS, essa classificação é usada para epidemias que exigem reação preventiva mundial, como nos casos da gripe H1N1 em 2009, e do vírus zika em 2016. Além disso, a declaração de emergência global permite que os países façam esforços sanitários, financeiros e científicos na contenção do surto.

Até o momento, a situação foi declarada como emergência global justamente com o intuito de permitir que outros países estejam preparados para o recebimento da doença, evitando uma maior disseminação do vírus. Tweets da World Health Organization (WHO) citam as palavras exatas do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva de imprensa:

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